27 de março de 2012

Crítica: Eu Era Tudo Pra Ela e Ela Me Deixou

Os atores Marcelo Medici e Ricardo Rathsam repetem no palco a parceria de sucesso nos bastidores do teatro (Rathsam é diretor do monólogo Cada Um Com Seus Pobrema, encenado por Medici desde 2004).



Samuel é abandonado por sua mulher Doris, depois de 10 anos casados. Durante toda uma noite ele vaga pela cidade e se depara com nove personagens caricaturados, todos interpretados magistralmente por Medici. Da prostituta gaúcha, passando pelo paulistano drag queen, chegando ao bêbado e marginalizado, Samuel procura conforto e apoio para sobreviver ao pedido de separação repentina.

O cenário é simples, tendo como pano de fundo as casas da cidade. O único problema da peça é a ausência de um enredo mais sólido, que faça com que os personagens dialoguem entre si. Todas as cenas lembram esquetes (divertidas, por sinal), mas que não dão homogeneidade para esse teatro de entretenimento bem encenado.

Durante toda a história, os personagens comentam sobre um estuprador que esquarteja suas vítimas e manda os pedacinhos para diversas partes do mundo. No final, uma grande surpresa faz com que o público reflita sobre quem as pessoas realmente são.

No quesito entretenimento, a peça agrada. Mas levando em conta a arte no teatro, fica a desejar. Medici tinha potencial para não só divertir, mas elevar o nível da peça.

Avaliação: Bom

Serviço

Onde: Teatro FAAP (r. Alagoas, 903)
Quando: sexta (21h30), sábado (21h) e domingo (18h)
Quanto: R$ 50 (sexta), R$ 70 (sábado) e R$ 60 (domingo)

Crítica: Bar 5 Meia

Estrategicamente localizado na rua Armanda Penteado, em frente à FAAP, o novo bar 5 Meia (nome oriundo da numeração da casa: 56) se diferencia das opções na região ao oferecer um ambiente de balada com um cardápio caprichado, incluindo pizzas, calzones, lanches e diversas porções, além de refrescantes drinks, a um preço levemente salgado.



O som alto chama a atenção de quem caminha pela calçada nas imediações da praça Vilaboim. O pequeno espaço lotado por mulheres bonitas e homens arrumadinhos já virou sensação em Higienópolis. Difícil arranjar uma mesa vazia nos horários de maior movimento. Os frequentadores podem desfilar com seus bons drinks pela casa e dançar ao som de um badalado setlist.

Para comer, a dica são os deliciosos calzones. Sequinhos por fora e cheios de recheio por dentro, provar essa delícia é quase uma obrigação! Já o drink que leva o nome da casa (5 Meia), que mistura vodka, guaraná e red bull é a melhor pedida do cardápio.

Para atrair os frequentadores no esquenta para a balada, o 5 Meia aposta ainda no Puxadinho, um anexo ao bar no andar superior com uma pista de dança. No dia da visita, um domingo, o lugar estava às moscas, enquanto no piso térreo a coisa fervia (inclusive com uma performance trash de dois anões em cima do balcão).

O que deixa a desejar é o serviço dos garçons. Num domingo a noite, apenas dois se viravam para atender dezenas de mesas e cerca de 40 pessoas, só no lado externo da casa. O tempo para fazer o pedido chegou a imperdoáveis 20 minutos. Depois, os drinks e a comida só chegaram à mesa depois de muita cobrança. Deve melhorar o atendimento (e o humor) para manter o público fiel. Opções na mesma rua não faltam, com um atendimento muito superior.

Avaliação: Bom

13 de março de 2012

Crítica: 5ª temporada do CQC

O CQC começou ontem sua quinta temporada na Band com a missão de ganhar novo fôlego para não ficar atrás do novo humorístico do canal, o Pânico na TV!.



As mudanças começaram na bancada do programa. Além da cor vermelha predominante no cenário, o repórter Oscar Filho assumiu permanentemente a apresentação do CQC ao lado de Marcelo Tas e Marco Luque. As piadas rápidas do pequeno pônei - até mesmo tirando um sarro com Luque sobre ser puxa-saco de Ronaldo - garantiram um novo ar jovial para o comando da atração. Já Marcelo Tas pareceu incomodado e inseguro na apresentação, chegando a trocar o nome de Oscar Filho por Rafael Cortez durante o programa.

Já Marco Luque conseguiu se livrar um pouco da áurea de puxa-saco que derrubou Rafinha Bastos e voltou a ser o palhaço sem-noção da atração. Até um piada infeliz sobre gato preto - que virou TT no Twitter - arrancou gargalhadas da plateia.

O bom "Proteste Já", com Oscar no comando, segue num ritmo bom e interessante. Já a campanha de doação de sangue com os políticos em Brasília mostrou algo novo na TV.

A estreia de novos quadros, como o "Nemfu", com Felipe Andreoli ou o "Sem Saída", com Mau Meirelles, parecem ser diferenciais para ganhar do Pânico em relação a conteúdo. Aliás, o pessoal do Pânico entrou ao vivo na atração e os dois trocaram farpas ensaiadas. Piada boba, mas que mexerá de verdade com os ânimos dos dois num futuro breve.

O quadro de Felipe Andreoli soa infantil: desafiar celebridades a acertar bolinhas de tênis num balde a uma grande altura. Ridículo desperdiçar o precioso tempo na TV com essa bobagem. Já o "Sem Saída" mostra políticos sendo testados num jogo da verdade, ligados a um aparelho que diz se ele está mentindo ou não.

Mas a pior parte da noite ficou para o final. A estreia do novo integrante da trupe, o "humorista" Ronald Rios decepcionou. Sem demonstrar talento e carisma - além de ser muito feio e desleixado - Rios terá que provar não ser um carioca marrento que não se identifica com o CQC.

Com a estreia do concorrente e do fogo-amigo do Pânico, o CQC deverá mostrar serviço e não ser mais um programa bobo que luta para sobreviver de qualquer jeito, levando ao ar qualquer bobagem para preencher espaço.

11 de março de 2012

Eu e ela, eu com ela, mas nunca eu sem ela

O pronome 'ela' saiu das gramáticas e entrou em minha vida tornado-se um pronome demonstrativo que resume todos os adjetivos para com ela.



Difícil entender? Resumindo: ela é o destino final de quase todos meus sentimentos. Dosado com todos os outros pronomes (eles, elas, nós) que merecem meu carinho e admiração, 'ela' faz-se presente em quase todos os finais de frase (e de noite). Os sentimentos que sinto por 'ela' só se fortalecem há mais de três anos. De uma bonita amizade, brotou a cumplicidade e nasceu o amor. Passando por todas as fases - e crises -, o respeito e a admiração que tenho por 'ela' só aumenta. E cresce o desejo de fazer com que o 'nós' continue prosperando e pautando nossas vidas.

Eu e ela somos felizes juntos. Eu com ela me sinto completo. Mas nunca quero pensar em ficar sem ela. Essa alegria permanente, difícil de explicar, é compartilhada todos os dias, de diferentes maneiras. E assim será, pelo menos enquanto escrever - para não ser clichê.

7 de março de 2012

Crítica: Poder Sem Limites

O filme, dirigido por Josh Trank, foge da realidade e dá poderes sobrenaturais a jovens problemáticos que não sabem lidar com os próprios problemas internos.



Se não tiver nada mais interessante passando nas salas de cinema, pode comprar um grande balde de pipoca e se divertir com essa fita despretensiosa que nada acrescenta para o cinema, mas que acaba entretendo pelo fato de imaginar o que as pessoas poderiam fazer se tivessem poderes sobrenaturais, como voar (!) ou fazer objetos flutuarem no espaço (!).

Três jovens estão numa festa num seleiro e acabam encontrando – e entrando, claro – num misterioso buraco que emite sons e luzes. Sem mais nem menos, aparecem na cena seguinte já com os tais poderes da mente fortalecidos. E daí em diante, o filme gasta preciosos 90 minutos mostrando carros sendo arrastados, ursos de pelúcia flutuando, pessoas voando como aviões, prédios destruídos, etc.

O que pode chamar a atenção é a relação conflituosa de Andrew com o pai alcoolatra e a mãe doente. Mesmo com a ajuda do amigo e primo Matt, Andrew não consegue se encontrar no mundo e passa a usar seus poderes de forma negativa – quase destruindo sozinho (!) a cidade de Seatle!

O cúmulo da bobagem, que de tão ruim acaba sendo interessante imaginar o que poderíamos fazer se tivéssemos esses poderes. E nada mais.

Cotação: *

O funeral do PSDB



O Partido da Social Democracia Brasileira anunciou recentemente que José Serra será pré-candidato ao partido nas prévias para a prefeitura de São Paulo. Bruno Covas e Andrea Matarazzo, que pretendiam disputar o cargo, lançaram mão da candidatura própria e apoiaram Serra. O PSDB não parece estar disposto a pensar diferente e lançar uma nova proposta, como fez o PT ao descartar sumariamente Marta Suplicy e apostar todas as fichas no ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (que se esconde em último lugar em todas as pesquisas de intenções de votos).

Mesmo com as recentes derrotas eleitorais sofridas nas campanhas presidenciais em 2002, 2006 e 2010 (e nas outras que estão por vir), o PSDB se estagnou e não lançou novos candidatos para um eleitorado cansado da dobradinha Serra e Alckmin. No colégio eleitoral paulista, onde reina há décadas, o partido não quis se arriscar, como fez o PT – com insistência de Lula – e terá um velho conhecido dos paulistanos na corrida: José Serra, que já desponta como favorito na corrida eleitoral, com mais de 34% das intenções de voto, segundo o Datafolha do último dia 4 de março.

Infelizmente teremos que, mais uma vez, se contentar com Serra e esperar por uma chance do promissor Bruno Covas – neto do ex-governador Mário Covas – ou de novas opções, como José Aníbal ou Ricardo Tripoli e ideias do extremamente conservador PSDB, que não quer largar o osso tão cedo de São Paulo. E assim, roer até o último pedacinho o que resta de sua (quase finada) história.

27 de fevereiro de 2012

Fantástico muda, mas não agrada na Globo



Chegou de mansinho e logo conquistou seu espaço. Assim o jornalista Tadeu Schimdt se firmou como o terceiro apresentador do Fantástico, que ainda patina na audiência e não convence com uma infinita mistura de formatos.

Desde a saída de Patrícia Poeta, que trocou o Fantástico pela bancada do Jornal Nacional, o programa dominical da Globo tenta seguir um rumo e emplacar na audiência. Mas contando com os falsos carismáticos Zeca Camargo e Renata Ceribelli, o programa só soa natural com o único bom apresentador Tadeu Schimdt.

Tentando atirar para todos os lados, o programa mistura quadros fixos de saúde, comportamento e de aventura (boa parte enlatados da BBC) a quadros de humor, esportes, reportagens investigativas e dramáticas. O público, que espera encontrar uma linha mais retilínea, se perde junto ao programa - e opta por programas mais segmentados, como o Programa Silvio Santos (SBT) ou o Pânico na TV! (Band), que já possuem uma linha definida de conteúdo.

E o que fazer para tentar salvar esse jurássico programa dominical, que acaba de completar 2.000 edições? Não adianta trocar/adicionar apresentadores. O programa precisa direcionar suas reportagens para uma linha jornalística nos primeiros blocos, entretenimento nos posteriores e fechar com esportes. O público agradecerá se não houver essa mistura chata de matérias e poder ligar no programa e saber o que irá passar.

22 de fevereiro de 2012

A (boa) briga entre CQC e Pânico na Band

O que esperar dos dois maiores programas de humor do Brasil na mesma emissora? Uma boa briga para ver quem levará ao ar as melhores matérias!



Numa conversa recente que tive com o diretor do CQC, Gonzalo Marcó, e com o gerente de conteúdo Max Solla, eles me confidenciaram que os repórteres do CQC andam desmotivados e sem vontade para fazer render as pautas. Chegam nas festas – e se não tiver celebridades do primeiro escalão, querem ir embora. O maior desafio nessa quinta temporada do programa seria fazer com que os repórteres se dedicassem mais para produzir melhores matérias.

Com a ida do Pânico para a Band, a tal motivação deve aparecer. Com uma disputa saudável interna entre as duas atrações, quem sai ganhando é o próprio público, que deverá ver os repórteres mais inspirados e com melhores piadas. Pois ninguém quer ficar para trás!

Embora os dois programas abordem as mesmas pautas, o enfoque deverá ser um pouco diferente. O Pânico será o mais debochado, enquanto o CQC seguirá numa linha mais certinha – e apostará em quadros fixos e polêmicos, como o Proteste Já! ou o CQC no Congresso.

A disputa só está começando!

As polêmicas de Tiago

O apresentador do Globo Esporte SP Tiago Leifert parece que não se ligou que é uma pessoa famosa. Nas recentes discussões envolvendo o apresentador e seus seguidores no Twitter, mostrou despreparo para lidar com pseudo-críticos adolescentes.



Tudo começou com uma reportagem do GE na semana passada com o jogador do Palmeiras Hernán Barcos, que xingou um repórter da Globo que tentou fazer uma piada com ele durante uma entrevista. O apresentador e editor-chefe do programa defendeu a piada do repórter – e a linha de entretenimento do GE – e virou alvo de seus seguidores no Twitter.

Depois, não sabendo lidar com a polêmica, distribuiu xingos e ofensas para simples garotos adolescentes na web. Entrou numa discussão furada com anônimos que se escondem atrás do PC. Chegou até a pedir o número de telefone deles para ligar e tirar satisfações.

Ontem, agindo mais uma vez como um adolescente, brigou com os seguidores depois de tuitar a briga generalizada no Sambódromo, durante a apuração dos desfiles das escolas de samba de São Paulo.

De duas, uma: ou Tiago Leifert cresce pessoalmente e assume ser um profissional da TV ou será só mais um mortal no Twitter. Ficar discutindo coisas sem fundamento com amadores chatos e anônimos não ajudará em nada sua carreira na TV.

14 de fevereiro de 2012

Os brasileiros e o visto para os EUA

Hoje enfrentei o desafio de encarar três horas (ou mais) de longas filas para obter o sonhado visto de entrada para os EUA. E poder gastar meu dinheirinho comprando em Miami!!!



Cheguei ao Consulado Geral dos Estados Unidos no Morumbi por volta das 7h30. Logo na entrada fui obrigado a mostrar os documentos provando que estava agendado para determinado dia. Poucos passos depois, mais um assistente chega para entregar minha senha. Isso na fila ANTES de entrar, de fato, no Consulado. Passando a porta de entrada – e pela exagerada segurança, onde é proibido entrar com celular, por exemplo –, mais uma fila, agora para entregar o passaporte com o agendamento – e pegar a senha para a fila para tirar as impressões digitais. Nesse momento, a espera é mais longa, chegando a mais de 1h. Depois, a ansiedade aumenta, pois a próxima etapa é a inesperada entrevista! São mais de dez guichês. Se pegar um bom entrevistador, num dia bom, seu visto será aprovado. Caso dê azar e caia num entrevistador vivendo um dia ruim, pode deixar o sonho de visitar a terra do Tio Sam de lado! Explico.

Contando com boa sorte e com o entrevistador num dia bom, ele FOI COM MINHA CARA! Fez três perguntas: (1) Primeira vez pedindo o visto? (2) Já viajou para fora do país? (3) Para onde pretende viajar nos EUA? (4) O que faz no Brasil? (4). Quando respondi que era estudante universitário da USP, ele perguntou o curso e logo na sequência virou e disse: Seu visto para os EUA foi aprovado! Mesmo portando uma infinidade de documentos que nem sabia que existiam (RG, CPF, Certidão de Reservista Militar, Título de Eleitor e comprovante das últimas eleições, Comprovante de Matrícula da USP, Movimentação das contas bancárias nos últimos três meses (minhas e do meu pai), Comprovante de residência, Aluguel do apartamento em SP, Contrato de serviço social da empresa do meu pai, vínculo empregatício e outros. Exigiram algum? NÃO, NENHUM! Só fizeram as perguntas e me analisaram da cabeça aos pés.

3h de filas. 4 perguntas. Mas o que contou mesmo foi a avaliação física do requerente. Eles olham para sua cara e dizem se você tem o tal perfil. Se tiver, maravilha. Se não tiver, boa sorte num outro destino!

13 de fevereiro de 2012

Crítica: A Dama de Ferro

Meryl Streep, a grande favorita ao Oscar de Melhor Atriz, prova que é A Dama de Ferro do cinema e consegue ser maior que o próprio filme que estrela.



O filme, dirigido por Phyllida Lloyd, tem como proposta contar a trajetória e os problemas pessoais da ex-Primeira Ministra da Inglaterra, Margaret Thatcher. A história é toda baseada em flashes de memória de Margaret, já envelhecida (e retratada como louca).

Tudo começa numa pequena cidade do interior, quando Margaret era uma jovem estudante recém-aceita em Oxford. Na convivência com seu pai, que era prefeito dessa cidade, começa a se interessar pela política. Com o tempo, consegue ingressar no Parlamento, se casar com um homem influente na política e se tornar a chefe do Partido Conservador – e, consequentemente, Primeira-Ministra mulher da história da Inglaterra.

Numa sociedade extremamente machista, ela precisa mostrar toda sua força de comando e tomar decisões que contrariam o que a maioria governista deseja – criando diversos atritos com a oposição e com a própria sociedade. Thatcher é retratada como uma pessoa que toma decisões sozinhas – e que não tem ouvidos para os outros.

O filme, diferentemente do que Margaret pregava – de acreditar e tomar partido de uma decisão – não pende para nenhum dos lados. Fica em cima do muro. E essa é a pior armadilha da fita: simplesmente expor os fatos, com uma superficialidade inexistente no perfil de Margaret. A partir daí, o enredo torna-se raso e desinteressante, pois simplesmente aborda quase tudo o que já sabemos sobre seu governo, marcado por medidas impopulares, conflito com sindicatos, aumento de impostos, Guerra das Malvinas, brigas com o futuro Bloco Europeu (um esboço da criação do Euro), etc.

O que soa quase infantil no filme é o ponto de narração. A fita mostra Margaret conversando – e relembrando – toda sua história com seu já falecido marido, Denis Thatcher. Soa quase como que uma loucura – uma ex-Primeira Ministra falando sozinha com um defunto e em franca decadência mental. Parece ridículo expor a Dama de Ferro a esses devaneios para a construção do filme. O relacionamento com seus dois filhos também é retratado – e passa a sensação de que a filha não tem paciência para cuidar da mãe e o filho, que mora na África do Sul, não se importa mais com sua genitora. E ela fica sozinha – assim como quando deixou o governo da Inglaterra.

Avaliação: * *

Crítica: Festa Vem Gentchy! (The Society)

A festa, realizada no clube The Society – dos mesmos proprietários da The Week – reúne o público gay num ambiente elegante que ferve ao som de pop.



Parece perfeita a união da festa Vem Gentchy! com o clube The Society, localizado numa travessa da rua Augusta. Focado no público gay arrumadinho, na faixa dos 25 anos, a festa ferve com performances de dj’s que destilam pop comercial, a apresentação da drag Silvetty Montilla numa performance hilária e homens descamisados dançando no palco.

O tema da casa é um luxuoso casarão antigo, com diversos sofás confortáveis, luminárias, espelhos, um imponente jardim de inverno, diversos quadros, iluminação única para todos os ambientes e um potente som. A casa conta com quatro luxuosos bares, que conseguem atender a demanda sem filas demoradas. Na saída, também a organização predomina, com atendimento eficiente!

O melhor de tudo é que as pessoas – gays ou não – podem se divertir sem se preocupar com bêbados a fim de arranjar brigas no fim da noite. Aqui, todos têm um só propósito: ferver!!! Por isso que as baladas gays são as melhores para quem quiser sair, dançar e se divertir muito!

A entrada custa R$ 30 – com nome na lista do site – e não há consumação. Os preços das bebidas – e dos bons drinks – são mais caros que na The Week. Uma caipirinha de vodka sai por R$ 21 (na TW pode-se beber por R$ 12). A Heineken custa R$ 10. Podiam ser mais em conta – mas nem tudo é perfeito, certo?

Avaliação: Excelente

Crítica: Margin Call – O Dia Antes do Fim

Surreal imaginar que toda a Crise de 2008 nos EUA – e no mercado global – começou com apenas uma empresa retirando todo o dinheiro das Bolsas. Será que o público irá engolir essa história?



O diretor JC Chandor consegue reunir um bom elenco, contando com Kevin Spacey, Paul Bettany, Demi Moore e Stanley Tucci para relatar como foi o dia antes do começo das quebras em cascata das empresas dos EUA em 2008.

Todo o filme se passa em 24 horas, numa importante empresa de Wall Street. Após a demissão de dezenas de funcionários, o talentoso Peter recebe um pendrive de seu chefe recém-demitido alertando para um futuro nada promissor nos mercados. Está anunciada a crise financeira. E em poucas horas, Peter alerta os donos da empresa sobre o que está para acontecer e que precisam armar um plano para vender a quem quer que seja US$ 8 trilhões em papeis ao redor do mundo – que não valerão nada dentro de 24 horas – ou mais, em proporções reais e já conhecidas.

O clima tenso dentro da empresa pode dar um clima do que realmente aconteceu em 2008, mas não desse jeito de que alguém começou tudo, sozinho. As boas atuações e a frieza das pessoas que trabalham com a compra e venda de papeis passam a dimensão de quem mais perdeu com a crise.

Um bom paralelo é estabelecido quando se mostra o chefe de Peter, o milionário Sam, sofrendo com a doença e quase morte de sua cadela. Ele diz: “Estava gastando uma grana preta só para mantê-la viva”. Com as empresas de investimento ocorreu a mesma coisa: investiu-se muito dinheiro, criando a bolha financeira, acreditando-se que levaria por mais tempo o mercado. Mas um dia tudo acabou. O filme termina com Sam enterrando sua cachorra. E todas as pessoas que perderam com a crise.

Avaliação: * *

11 de fevereiro de 2012

No metrô

Esses dias, voltando para casa no Metrô de SP, prestei atenção e percebi que minha vida é como um vagão do trem. Passa por várias estações, com paradas curtas, pessoas estranhas entram e saem em seu determinado destino, os trilhos possuem algumas curvas, mas continua andando sem parar, num ritmo alucinado. Não há motorista, mas há controle por distância. Tudo tão rápido e imprevisível, que parece minha vida.

Tudo é passageiro.

Crítica: A Filha do Mal

O desfecho de “A Filha do Mal” concorre ao pior final da história do cinema, ao lado de “A Vila” e “A Bruxa de Blair”.



A história começa em 1989, quando Maria Rossi mata três membros ligados a igreja católica durante um ritual de exorcismo nos EUA. Ao invés de ser condenada a cadeia, Maria é levada para um sanatório na Itália (!!!), aos cuidados do Vaticano. Vinte anos depois, sua filha Isabella Rossi (interpretada com sucesso pela atriz brasileira Fernanda Andrade) viaja para a Terra da Bota a fim de investigar a real sanidade de sua mãe. Embarca junto com Isabella um cinegrafista, para registrar todos os passos desse macabro documentário. Lá chegando, ela decide assistir a um treinamento do Vaticano para rituais de exorcismo. E a viagem começa, literalmente. Dúvida 1: como ela tinha TANTA certeza que sua mãe estava possuída por um demônio? Dúvida 2: por que Maria Rossi foi parar na Itália? Será que não tinha sanatórios o suficiente para os loucos norte-americanos?

Na aula de treinamento, ela conhece dois padres exorcistas, que agem sem o conhecimento de seus superiores. Primeiramente, eles investigam se a pessoa está possuída. Caso se confirme a posse, eles fazem o ritual. Mas dessa vez, as coisas ganham proporções catastróficas. Descobre-se que Maria Rossi guarda dentro de si quatro demônios – ou seja, múltipla possessão. Logo na primeira – e única – sessão de exorcismo no sanatório, os dois padres, a filha e o cinegrafista já começam a apresentar mudanças comportamentais – como raiva, alucinações e desejos de morte.

O padre mais velho, Simon, quase assassina uma criança durante um simples batismo, e depois se mata com um tiro na cabeça por estar possuído. Como Isabella estava na frente do padre morto, o tal espírito nada camarada possui a filha de Maria Rossi – que misteriosamente desaparece do filme, como num passe de mágica – fazendo com que seja levada a um hospital. Lá, Isabella mata um paciente e foge num carro dirigido pelo cinegrafista e pelo padre – que tenta no próprio veículo desencarnar o espírito de dentro dela – a caminho da casa do padre Braga, que deverá os ajudar na sessão.

Se não quiser se decepcionar com a história, não leia a próxima frase. O filme todo acaba num trágico acidente de carro, onde todos, supostamente, morrem. E fim!

A história extremamente aberta e imprevisível caminha para vários lados, o que torna surreal o desfecho, para decepção do público. O filme parece terminar no meio, ficando a sensação de que faltou verba – de US$ 1 milhão – ou um bom roteirista, para terminar de gravar a fita.

Avaliação: * *